segunda-feira, 13 de junho de 2011

18- D+15 - RIOS ARAGUAIA E TOCANTINS - CONHECENDO A REGIÃO

Continuando no meu propósito de conhecer ao máximo a região em minha curta estadia, parti com Álisson e Rafael, um amigo de infância de Belo Horizonte que passou por Redenção a trabalho, em direção a Conceição do Araguaia, que fica a cerca de cem quilômetros de Redenção, às margens do Rio Araguaia, na divisa dos estados do Pará e Tocantins.
A pequena cidade é chamada de "Portal da Amazônia", um marco revelador de uma triste realidade: a amazônia pode já ter começado ali; entretanto, a floresta amazônica que um dia deu o nome à região só a veríamos trezentos quilômetros ao norte, através de uma paisagem de pastos a perder de vista.
Em Conceição do Araguaia almoçamos no Hotel Tucumã, destino tradicional de pescadores, e paramos para um bate papo no restaurante flutuante do Zé Piranha.



Conceição é o "Portal da Amazônia". Mas floresta amazônica não há mais.

Rio Araguaia




Aos finais de semana moradores da região praticam esportes náuticos.




P.S. Dos grandes rios do Norte já conhecia o Amazonas, o Negro e o Solimões. Tendo conhecido o Araguaia, ainda tive a sorte de conhecer o rio Tocantins, numa bela travessia de balsa, já no estado que lhe empresta o nome, em direção a Palmas. No caminho saí de Redenção rumo ao leste, passando sobre o rio Arraias do Araguaia até Conceição do Araguaia, cidade que já fica na divisa com o estado de Tocantins, traçada pelo rio Araguaia. Em Tocantins passei por Couto Magalhães, Pequizeiro, Colméia, Guaraí, Fortaleza do Tabocão, Rio dos Bois, Miranorte. Em Miracema do Tocantins há uma bela travessia de balsa sobre o rio Tocantins, e a partir daí chega-se a Tocantínia e Lajeado, já dentro da Reserva Biológica Serra do Lajeado, num belo caminho às margens do rio Tocantins até chegar a Palmas:


A caminho de Palmas




Ponte sobre o rio Araguaia
 
Balsa na travessia do belíssimo rio Tocantins


A Transbrasiliana faz o trecho Marabá-Palmas. Sem ar-condicionado.

Ponte sobre o rio Tocantins, já em fase de conclusão.

17- D+13 - TRÊS "MILAGRES" DO PADRE BENEDITO - quinta-feira, 2 de junho de 2011

SITUAÇÃO DA VARA:

#Rotina de distribuição dos processos ainda não foi liberada.
#Processos chegam a conta-gotas.
#Link Limitado.


Quarta-feira à tarde e quinta-feira pela manhã, três excelentes notícias: o telefone do meu gabinete finalmente começou a funcionar; os computadores do segundo andar, incluindo o meu, enfim foram conectados à rede; e chegaram afinal os primeiros processos!

Minha maior preocupação na quinta-feira eram os processos, que ainda não haviam chegado. Estávamos a apenas dois dias úteis da abertura do expediente externo, e os servidores ainda não tinham tido nenhum contato com os processos.
Já havia oficiado à Justiça Estadual  e telefonado para os colegas Kátia, da Corregedoria, e Alexandre, da Presidência; e estava decidido a não aguardar mais do que o meio-dia desta quinta-feira antes de enviar um ofício ao nosso Corregedor solicitando providências.
Felizmente, exatamente ao meio dia chegaram os 85 primeiros processos - parcela ínfima diante da previsão inicial de três mil, mas o suficiente para começar o treinamento específico.

Duas outras boas noticias me aguardavam ao chegar para trabalhar pela manhã: finalmente teria um telefone no gabinete, o que facilitaria o contato com Brasília; e poderia enfim acessar a internet, e-mail, e trabalhar com o editor de textos.

Vinte e quatro horas após a visita do Pe. Benedito, três problemaços que nos afligiam há duas semanas foram resolvidos. São os três "milagres" do Pe. Bené!


Chegada dos primeiros processos da Justiça Estadual à Vara Federal de Redenção - PA

Kelly, Daniela e Rodrigo conferindo os processos.










PORTARIAS:

PORTARIA Nº 004, DE 31 DE MAIO DE 2011, determinando que "os processos oriundos da Justiça Estadual sejam recebidos exclusivamente pelo diretor de secretaria, o qual deverá conferir a exatidão dos dados dos processos, especificamente quanto ao número de origem da Justiça Estadual, partes e número de folhas, acostando aos autos certidão de recebimento com as informações acima."

OFÍCIOS:

OFÍCIO/GABJU/Nº 22/2011, ao Corregedor-Regional, informando que a rede do segundo andar, onde estão localizados os gabinetes dos juízes e respectivas assessorias, afinal entrou em funcionamento.
OFÍCIO/GABJU/Nº 23/2011, informando a chegada de 84 processos dos três mil previstos; justificando a edição da Portaria 004, com base na forma de triagem e remessa dos autos à Justiça Federal.

16- D+12 - CONSAGRAÇÃO E BÊNÇÃO - quarta-feira, 1º de junho de 2011

SITUAÇÃO DA VARA:

# Processos ainda não chegaram;
# Um computador com defeito;
# Apenas três telefones;
# Os computadores do primeiro andar funcionam, mas ninguém consegue "logar"
# Os computadores do segundo andar, onde ficam os gabinetes, estão fora da rede;
# Link limitado a 512K, um quarto do contratado pelo Tribunal.


Às oito da manhã, antes do expediente, compareceram à Vara todos aqueles que aceitaram o convite feito na véspera. Pouco depois chegou Pe. Benedito com uma surpresa: duas freiras e um violão. Perguntou pelo lugar onde trabalharia o maior número de pessoas, e o levei à secretaria.
Tivemos uma pequena celebração durante a qual Pe. Benedito consagrou a Vara Federal de Redenção a Nossa Senhora.  Por fim, percorreu todos os cômodos abençoando o local de trabalho.
Cumprida mais uma missão: a vara estava abençoada e consagrada.




15- D+11 - ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DA JUSTIÇA FEDERAL DE REDENÇÃO - ASSEJUFRED terça-feira, 31 de maio de 2011

SITUAÇÃO DA VARA:

# Processos ainda não chegaram;
# Um computador com defeito;
# Apenas três telefones;
# Os computadores do primeiro andar funcionam, mas ninguém consegue "logar"
# Os computadores do segundo andar, onde ficam os gabinetes, estão fora da rede;
# Link limitado a 512K, um quarto do contratado pelo Tribunal.


Hoje é um dia especial para os servidores da Justiça de Redenção: foi aprovado o Estatuto da Associação dos Servidores da Justiça Federal de Redenção - ASSEJUFRED, e eleita sua primeira diretoria.

Aos colegas que tiverem a sorte de instalar uma vara federal de subseção recomendo que insistam na formação da Associação de Servidores. Trata-se de precioso instrumento para propiciar maior qualidade de vida aos servidores da Justiça Federal em cidades do interior. Além disso, funciona como um elo entre seus associados, reforçando a união da equipe.

Segundo o art. 2º do Estatuto, a ASSEJUFRED, sociedade civil de natureza social, esportiva, cultural, com duração indeterminada e sem fins lucrativos, tem por finalidade "I. promover, em especial, o congraçamento de seus atividades por meio de atividades recreativas, sociais, artísticas, culturais e desportivas; II- organizar e prover os meios para concessão de benefícios aos associados e seus dependentes, visando ao seu bem-estar social e material; III- explorar, às expensas próprias ou por meio de empresas e profissionais especializados, atividades de natureza social, esportiva e cultural, em dependências próprias, cedidas ou arrendadas; V- propor e defender, judicial e extrajudicialmente, os direitos e interesses coletivos dos associados perante instituições administrativas e judiciárias; VI- estimular, entre os associados, a implantação de programas cooperativos; VII- estabelecer intercâmbio com outras associações de servidores e colaborar com entidades congêneres."


A primeira diretoria é formada por Rannieri Facundo de Almeida, Presidente; Gilmar Barbosa Brabo Filho, Vice-Presidente; Ana Paula Palha de Vasconcelos, Primeira-Secretária; Rodrigo Massucati, Diretor Financeiro/Tesoureiro:

A primeira Diretoria da ASSEJUFRED - Da esquerda para a direita: Rannieri, Ana Paula, Rodrigo e Gilmar.


OFÍCIOS: 

OFÍCIO/GABJU/Nº 13/2011, ao Diretor do Foro, solicitando o deslocamento da servidora Ana Paula Vasconcelos para treinamento na Seção de Contadoria da Seção Judiciária;
OFÍCIO/GABJU/Nº 14/2011, ao Presidente do TRF1, informando que a Justiça Estadual remeterá, por enquanto, apenas duzentos processos de um total aproximado de três mil.
OFÍCIO/GABJU/Nº 15/2011, ao Diretor do Foro, solicitando quatro cadeiras para os gabinetes dos juízes. 
OFÍCIO/GABJU/Nº 16/2011, ao Diretor do Foro, solicitando remanejamento de funções comissionadas. 
OFÍCIO/GABJU/Nº 17/2011 , ao Corregedor-Regional, informando que a Subseção ainda não possui rede informatizada, e que a SECIN providenciou junto à SEDAD/P, para a segunda-feira dia 06 de junho, a chegada da técnica em informática Regina Alves.
OFÍCIO/GABJU/Nº 19/2011, ao Corregedor-Regional, encaminhando todos os ofícios expedidos até a data deste, como forma de retratar os trabalhos de instalação da Subseção Judiciária. 
OFÍCIO/GABJU/Nº 20/2011 , ao Diretor do Foro, designando as últimas duas funções comissionadas à disposição.   
 

sábado, 11 de junho de 2011

14 - D+10 - EM BUSCA DE UMA BÊNÇÃO E O TERCEIRO SEGREDO DE FÁTIMA - Segunda-feira, 30 de maio de 2011

SITUAÇÃO DA VARA:

# Processos ainda não chegaram;
# Um computador com defeito;
# Apenas três telefones;
# Os computadores do primeiro andar funcionam, mas ninguém consegue "logar"
# Os computadores do segundo andar, onde ficam os gabinetes, estão fora da rede;
# Link limitado a 512K, um quarto do contratado pelo Tribunal.





Antes de chegar a Redenção já tinha em meus planos pedir ao padre local uma bênção à Vara, assim como havia sido feito, a pedido da Prefeitura, em São Sebastião do Paraíso.

Entretanto, um episódio me plantou uma idéia que não saiu da minha cabeça: a consagração da Justiça Federal em Redenção a Nossa Senhora de Fátima. Foi assim...

Segundo a Wikipedia, "No dia 13 de Maio de 1917, três crianças (Lúcia de Jesus dos Santos (10 anos), Francisco Marto (9 anos) e Jacinta Marto (7 anos)) afirmaram ter visto "...uma senhora mais branca que o Sol" sobre uma azinheira de um metro ou pouco mais de altura, quando apascentavam um pequeno rebanho na Cova da Iria, lugar de Aljustrel, pertencente ao concelho de Ourém, Portugal.
Lúcia via, ouvia e falava com a aparição, Jacinta via e ouvia e Francisco apenas via, mas não a ouvia.
As aparições repetiram-se nos cinco meses seguintes e seriam portadoras de uma mensagem ao mundo. A 13 de Outubro de 1917 a aparição disse-lhes ser a Nossa Senhora do Rosário.[1]
Os relatos destes acontecimentos foram redigidos pela Irmã Lúcia a partir de 1935, em quatro manuscritos, habitualmente designados por Memórias I, II, III e IV[2]e transcritos com outras fontes para este artigo."


Fotografia clássica dos pastorinhos Jacinta, Francisco e Lúcia

Na véspera de minha viagem assisti no Discovery Channel a um programa sobre o terceiro segredo de Fátima, e algo me chamou a atenção: o último dos dos pedidos de Nossa Senhora de Fátima a Lúcia foi o de que o mundo fosse a ela consagrado.

Segundo o site do Vaticano, "Na passagem do segundo para o terceiro milénio, o Papa João Paulo II decidiu tornar público o texto da terceira parte do « segredo de Fátima ». ... E, no dia 25 de Março de 1984, quando se recorda o fiat pronunciado por Maria no momento da Anunciação, na Praça de S. Pedro, em união espiritual com todos os Bispos do mundo precedentemente « convocados », o Papa entrega ao Imaculado Coração de Maria os homens e os povos ...  Irmã Lúcia confirmou pessoalmente que este acto, solene e universal, de consagração correspondia àquilo que Nossa Senhora queria: « Sim, está feita tal como Nossa Senhora a pediu, desde o dia 25 de Março de 1984 » " http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20000626_message-fatima_po.html

Fiquei curioso, pois não sabia em que consistiria precisamente a "consagração".  De toda maneira, procurei pelo Padre disposto a pedir a tal consagração da Justiça Federal em Redenção. Chegando à igreja encontrei o Padre Renato, missionário italiano do Vêneto que há três décadas trabalha nessa região com os índios, atualmente com o auxílio das irmãs Clarissas, de Belo Horizonte. Me disse que o pároco não era ele, mas o padre Bené; contudo, na ausência deste, poderia realizar a bênção. Conversamos um bocado e ele me explicou que a consagração, ou o "dedicar ao sagrado", normalmente só pode recair sobre uma pessoa, como um padre, ou sobre um templo. Argumentei que nossa sede é um "templo da justiça", mas ele não pareceu convencido...

Nessa hora me lembrei do amigo Antônio Schenkel, meu primeiro juiz titular, em Blumenau - SC, que um dia peguei tentando negociar com o padre a troca de uma promessa que havia feito de não andar mais de moto por umas cestas básicas... na época morri de rir do absurdo do "Toninho"; mas ele, que não é mole, acabou convencendo o padre.

Inspirado pelo amigo, decidi insistir no propósito e conversar com o pároco, Pe. Benedito. Pedi a ele a benção e expus meus argumentos a favor da consagração. Sorrindo enigmático, marcou sua ida à Justiça Federal para a quarta-feira pela manhã, antes do expediente.


J.M.J.   A terceira parte do segredo revelado a 13 de Julho de 1917 na Cova da Iria-Fátima. Escrevo em acto de obediência a Vós Deus meu, que mo mandais por meio de sua Ex.cia Rev.ma o Senhor Bispo de Leiria e da Vossa e minha Santíssima Mãe. Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora...  - Extrato do Manuscrito da Beata Lúcia, retirado do site http://blog.cancaonova.com/tvpt/2008/05/10/terceira-parte-do-segredo-de-fatima/


13- D+9 - ELDORADO DOS CARAJÁS E OS SEM TERRA - Domingo, 29 de maio de 2011


Segundo a Wikipedia, "O Massacre de Eldorado dos Carajás foi a morte de dezenove sem-terra que ocorreu em 17 de abril de 1996 no município de Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, Brasil decorrente da ação da polícia do estado do Pará.
Dezenove sem-terra foram mortos pela Polícia Militar do Estado do Pará. O confronto ocorreu quando 1.500 sem-terra que estavam acampados na região decidiram fazer uma marcha em protesto contra a demora da desapropriação de terras, principalmente as da Fazenda Macaxeira. A Polícia Militar foi encarregada de tirá-los do local, porque estariam obstruindo a rodovia PA-150, que liga a capital do estado Belém ao sul do estado.O Monumento Eldorado Memória, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer para lembrar as vítimas do massacre dos sem-terra, inaugurado no dia 7 de Setembro de 1996, em Marabá, foi destruído dias depois. Um dos líderes dos sem-terra do Sul do Pará afirmou que a destruição foi encomendada pelos fazendeiros da região."


Domingo pela manhã deixamos Parauapebas em direção a Eldorado dos Carajás, onde seguiríamos para a "curva do S", onde ocorreu o chamado "massacre de Eldorado dos Carajás". No local, imensos troncos de madeira colocados pelos sem terra formam um sinistro stonehenge, com um memorial no centro do círculo.



Trecho próximo ao trevo de entrada na cidade.

Durante todo o trecho entre Eldorado e Redenção vê-se os acampamentos de sem-terra. Sempre próximo à entrada de alguma fazenda, são casas de palha formando pequenas vilas, com placas na entrada indicando o nome do acampamento.



Acampamento sem-terra. À esquerda, entrada de fazenda com placa arrancada.


12- D +8 - 350 KM DE BURACOS - sábado, 28 de maio de 2011

Saímos Alisson e eu às oito e meia da manhã em direção à Serra dos Carajás, onde a Vale explora minério de ferro. Seguimos pela antiga PA 150, recentemente transformada em BR, e que vive por um período de buraco negro de estado: o estado já entregou; o governo federal ainda não recebeu. Enquanto isso, a estrada se torna extremamente perigosa de dia, por causa dos buracos, e intransitável à noite, pela falta de policiamento. Passamos por postos policiais vazios durante todo o trajeto.



A estrada que vai de Redenção a Marabá


A caminho de Carajás passamos por Pau D’Arco, Rio Maria, Xinguara, Sapucaia e Gogó da Onça. Em Xinguara demos carona a um policial militar fardado, a caminho de Belém para uma audiência na Justiça Estadual para prestar esclarecimentos sobre seu comportamento por ocasião da desocupação de uma fazenda invadida por sem-terras, a pedido de moradores. Apesar de ter a passagem de ônibus custeada pela Corporação, preferiu viajar de carona por medo de uma abordagem do ônibus por bandidos. Deixamos o policial em Eldorado dos Carajás, onde saímos da PA 150 e pegamos a estrada em direção a Carajás.

Na Rodoviária de Curionópolis

Após passar por Curionópolis, chega-se a Parauapebas, uma cidade cuja pujança econômica impressiona, tendo inclusive um shopping center recém-inaugurado de consideráveis proporções.
Passando por Parauapebas vimos afinal um um portal semelhante a uma praça de pedágios, com os dizeres “Floresta Nacional de Carajás” . O acesso e administração são totalmente controlados pela Vale.
Nossos nomes são conferidos na porta, onde Dr. Marcelo já deixou a autorização, e seguiremos até determinado ponto, onde pegaremos o primeiro veículo de escolta.

Entrada da Floresta Nacional de Carajás
O caminho no primeiro veículo de escolta vai até outra “praça de pedágio”, essa já com os dizeres “mina de Carajás”. Dali embarcamos em outra caminhonete, em direção à mina.
Durante todo esse percurso temos o primeiro contato com a floresta equatorial, cortada por trinta quilômetros até a mina, e só então nos damos conta de qual era a vegetação original de todos aqueles mais de trezentos quilômetros já percorridos. No coração da floresta abre-se uma clareira: é o núcleo habitacional de Carajás, onde moram os funcionários da Vale. Muito bem estruturado, com belas casas, comércio, escolas e até um cinema, tem cerca de seis mil habitantes.Plantado no meio da floresta equatorial, me lembrou aquele filme "A Vila", do Shyamalan. Numa clareira no coração da floresta também fica o Aeroporto de Carajás.
O Núcleo Habitacional: seis mil habitantes no meio da selva (foto tirada de wikimapia.org/.../pt/Núcleo-Urbano-de-Carajás)

Estrada cortando a Floresta Nacional dos Carajás




Após um tempo, chega-se à mina. Caminhões gigantescos que chegam a carregar mais de duzentas toneladas transitam na paisagem lunar da maior mina de minério de ferro do mundo. Para quem já assistiu, parece uma daquelas cenas de filmes de ficcção onde humanos exploram minerais em planetas distantes, como Alien-O Resgate e Alien-Ressurection. Dentro do complexo não se pode transitar a pé,  e caminhonetes L200 levam mastros de dois metros de altura com bandeirolas para evitar serem desavisadamente esmagadas por um dos gigantescos caminhões de minério. Escavadeiras enormes depositam seus achados nos caminhões, que os lançam num simples mas eficiente sistema de processamento que terminará em vagões que atravessam o Pará e Maranhão até chegarem ao porto, em São Luís do Maranhão.
Tudo ao som de uma sinfonia de máquinas pesadas, rosnando grosso e constante como uma manada de animais pré-históricos.
É um trabalho impressionante, tudo tão organizado quanto superlativo.
Retornamos para pernoitar em Parauapebas, de onde partiríamos para conhecer o local onde ocorreu o chamado "Massacre de Eldorado dos Carajás".




Na foto acima é possível comparar o caminhão com uma caminhonete L200.